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domingo, 3 de fevereiro de 2013

rabisco


um rabisco
eu de encontro com a cidade
outro rabisco e já sou cidade, concreto
concreto seria pertencer a Brasília
mas seria ela eu?
uma garatuja, um reflexo de mim habitando minha cidade
minha cartografia, minha casa
meus case 30 anos de cidade
meu corpo marcado por ela
cheio dela estou, até seus contornos vazios
seus espaços vazios 
um puro deleite, ela me dança
me distância, me envolve
me contradiz-es
me tudo, me instante, me dança, me grita, me sufoca
me angústia, me alegra, me toca
me projeta, me transpassa
me é cidade
me é corpo. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

... em Lisboa


Umas das propostas dessa pesquisa era se pensar em outros espaços fora da cidade de Brasília para criar vídeodanças nesses lugares. Aproveitando que dois amigos meus estavam em Portugal, um fazendo intercambio de cenografia e outra fazendo apresentação de teatro, pedi que eles improvisasse suas danças em algum espaço da cidade onde eles estavam. 
Desse pedido, surgiram dois vídeos dançados por Jessica Cardoso e Roberto Dagô, e filmado por uma amiga do Roberto chamada Francesca Morea, italiana que também fazia intercambio em Portugal. A edição do vídeo foi feita por mim aqui no Brasil. 
Algum tempo depois pedi que a Jessica relatasse como foram feitos os vídeos, abaixo segue o relato dela.

"Fizemos este vídeo porque era a nossa maneira de expressar o reencontro. De expressar dois corpos em tempos diferentes. Um que morava na cidade de Lisboa há alguns meses e outro que estava tendo pela primeira vez na vida a oportunidade de cruzar o oceano de avião e parar em Portugal, país colonizador da minha terra brasileira. Lugar onde conheci o pastel de Belém, as praças grandiosas, o porto, o sotaque, o fado original... Dançar foi o jeito que encontramos de brincar com nossas histórias, de vivenciar o meu desconhecimento no espaço da cidade através do olhar, corpo, cheiro, toque, som, gosto de um grande amigo. Fizemos porque nos amamos, porque estávamos felizes, porque queríamos deixar nosso registro daquele momento na tela, na câmera, na memória do corpo. E assim, acredito que o afeto assume lugar primordial na orientação dos movimentos, do improviso do jogo e do selo poético da relação".

quando corpos dançam na cidade de concreto.



Esse foi um dos primeiros vídeos que gravei com olhar voltado pro corpo e a cidade, onde fui convida para experimentar junto com os alunos. Aproveitando que improvisação aconteceria na rua, no CONIC em Brasília, utilizei o produto final - o vídeo - que capturado e editado por mim como parte da minha pesquisa, pois dialogava com o afetamento entre corpo e cidade que meu trabalho propunha. 
Essa experimentação faz parte da disciplina "Improvisação I" ofertada no curso de licenciatura em dança, e ministrada pela professora Sabrina Cunha. 

sábado, 20 de outubro de 2012

um curso d'água


"Onde nasce um curso d'água" é um projeto vinculado ao meu grupo de dança. Esse trabalho está intimamente ligado a minha pesquisa, no que se refere à relação entre corpo e cidade como possibilidade de dramaturgia para vídeodança. Sendo assim, resolvi unir os dois projetos.

O lugar dessa experimentação aconteceu na água mineral, em Brasília. Por se tratar de um lugar de passagem constante de corpos, nossa experimentação foi vista por olhos curiosos, que de início, acredito eu, acharam um tanto estranho a dança que se realizava naquele espaço público.

Enquanto dançávamos ao som de pássaros e gritos de crianças, dava também para escutar o burburinho sobre nossa dança. A nosso trabalho de improvisação foi contaminado pelo lugar e suas tessituras.
De alguma forma, invadimos o espaço público de sociabilidade e lazer, provocando curiosidade, oras incomoda de quem passava pela piscina e observava uma dança não codificada, ora provocando um acontecimento inusitado. Para Sant’Anna (2001)

                                     dentro das cidades que parecem sem começo nem fim há uma massa de pessoas dispersas, buscando lugares que facilitem a experiência de arrebatamentos inatuais. Lugares afetuosos, intimistas, ou expansivos, que de algum modo levem o ser humano a amar o fardo da vida, a esquecê-lo ou percebê-lo mais leve (SANT’ANNA, 2001).

Quanto à inserção da experimental em dança no espaço público, pode-se pensar em um corpo em reconstrução. Experimentamos o nosso corpo num território não-habitual (sala de ensaio, ou em cima de um palco), reconstruindo-o, transformando-o de diversas maneiras diante das câmeras e dos próprios olhos de quem ali passava.

Apropriamo-nos do espaço público para experimentar a nossa dança, aquilo que nos move enquanto dança. A captura das imagens, e posteriormente a edição do vídeo teve caráter de registro do processo, mas também não deixa de ser uma possibilidade de criar algo também a partir de uma experimentação também da edição das imagens.

Não houve roteiro de edição, apenas me deixei levar pela sensação das imagens, e claro da dança. Elas me mostram um caminho, e eu como rio sigo o fluxo, que é imprevisto muitas vezes exultando o instante captado pela câmera.

Bibliografia
SANT’ANNA, Denise Bernuzzi de. Corpos de passagem: ensaios sobre a subjetividade contemporânea. – São Paulo: Estação Liberdade, 2001.

domingo, 16 de setembro de 2012


trecho de uma das experimentações do meu grupo de dança. estamos pesquisando sobre onde nasce um curso d'água. e como estamos com proposta de utilizarmos os espaços da cidade, resolvemos integrar essa pesquisa artística com minha pesquisa acadêmica. 


sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Fiquei me perguntando se eu postava aqui esses dois vídeos que presenteei uma amiga recentemente. Não deixar de ser a minha pesquisa, novamente me apropriei da cidade e deixei que ela me trouxesse caminhos e apontamentos. Não é somente deixar que a cidade me apresente possibilidades, mas também, é um agenciamento de ambas as partes, minha e da cidade. Cidade é um corpo? É possível existir um agenciamento entre meu corpo e a cidade? São perguntas que faço agora sem respostas e, com a certeza que terei que estudar muito e experimentar muito para entender isso que me proponho a pesquisar. É tudo novo para mim, conceitos, referenciais, livros, autores, pensadores... e muitas vezes não sei se o que eu reflito é o melhor caminho naquele ou nesse momento, muitas vezes não sei se o que eu li eu entendi de fato. Mas é um processo...  Mas o que é certo? Existe o certo? Ainda bem que esse espaço aqui me permite o erro sem medo. O tempo pode me permitir chegar a um lugar sem conclusões cristalizadas. É isso que eu acredito. 

Agenciamento
"Segundo um primeiro eixo, horizontal, um agenciamento
comporta dois segmentos: um de conteúdo, o outro de expressão. Por um
lado, ele é agenciamento maquínico de corpos, de ações e de paixões,
mistura de corpos reagindo uns sobre os outros; por outro lado,
agenciamento coletivo de enunciação, de atos e de enunciados,
transformações incorpóreas sendo atribuídas aos corpos. Mas, segundo um
eixo vertical orientado, o agenciamento tem, de uma parte, lados territoriais
ou reterritorializados que o estabilizam e, de outra parte, picos de
desterritorialização que o arrebatam."


Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia / Gilles
Deleuze, Félix Guattari; tradução de Ana Lúcia de Oliveira e
Lúcia Cláudia Leão. — Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995  (Coleção TRANS) .